“Havia uma mulher parada na ponta de um píer, olhando para o mar como se estivesse prestes a se jogar.
Um marinheiro a vê e grita:
— Ei! O que você está fazendo?
Ela responde:
— Não tenho mais motivo para viver. Vou me jogar no mar e acabar com tudo.
— Calma, calma! Não faz isso! Você já foi para Paris?
— Nunca.
— Então faz o seguinte. Nosso navio parte hoje à noite. Eu te levo escondida até Paris, mostro a cidade, você aproveita umas semanas... Depois, quando voltar, se ainda quiser fazer isso, a decisão continua sendo sua. Você não tem nada a perder.
Ela pensa por alguns instantes.
— Tá... mas o que você ganha com isso?
O marinheiro sorri.
— Eu escondo você em um dos botes salva-vidas, levo três refeições por dia... e, se a gente acabar se gostando, quem sabe role alguma coisa entre nós.
Ela pensa que realmente não tem nada a perder. E, para falar a verdade, até achou o marinheiro bonito.
Aceitou.
Durante vários dias, ele levava comida, os dois conversavam por horas e acabaram se envolvendo. Todas as noites eles ficavam juntos.
Duas semanas depois, o comandante encontra a mulher escondida debaixo da lona de um dos botes.
— O que a senhora está fazendo aqui?
Ela responde:
— Um dos seus marinheiros está me escondendo para me levar até Paris. Em troca, ele traz comida todos os dias, a gente conversa bastante... e também estamos tendo um caso.
O comandante leva a mão ao rosto e diz:
— Minha senhora... isto aqui é a barca Rio–Niterói.”
23:00